Quando, Onde e Como

Quando e onde as coisas da arte e do quotidiano acontecem. E como as vejo. É assim que "Quando, Onde e Como" revela o que não publico nos jornais... When and where art and life facts happen. And how I see it. This is the way that “When, Where and How” shows what I do not publish in the press...

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

O concurso

No dia 23 de outubro de 1906, Santos Dumont voou cerca de 60 metros a uma altura de dois a três metros com seu 14 Bis ("Oiseau de proie") no Campo de Bagatelle, em Paris. Na comemoração do centenário, há três anos exatos, conquistei o 1° lugar no concurso de Frase, Hai Kai ou Poesia sobre o tema: Santos Dumont, Centenário do 14 bis, Pai da Aviação, Inventor do Avião. Ganhei um lindo Relógio Dumont (chegado diretamente de Juiz de Fora, MG), "prêmio Banana-Ouro" do saudoso blog Banana&Etc, pilotado pela querida garimpeira Helô. Continuo a usar o meu relógio com orgulho em todas as ocasiões.

Meu pequeno poema vencedor:

O avião de Santos risca o céu
Todos apontam o delicado sagre
Alguns dizem que é troféu
Eu digo que é milagre.

Até amanhã, que agora é hoje e... não se fazem mais concursos como antigamente!

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posted by Sheila Leirner at 15:38 |

Domingo, Outubro 18, 2009

O absurdo da perenidade destruída pelo acaso.

Estandarte: Hélio Oiticica, 1968

Pode-se chamar a destruição de um acervo artístico de perda material? Pode haver seguro ou substituição para a morte do elemento vivo da criação?

São dois os níveis de compreensão para este desaparecimento. Um, o econômico e cultural. Outro, o filosófico.

Falar, portanto, sobre o prejuízo que significa o aniquilamento de centenas de obras, para um país que ainda se encontra em tão precária situação cultural, seria o óbvio. Dizer que o ocorrido corresponde ao dano de uma sala histórica destruída em Versalhes, talvez fosse até impróprio. Afirmar que não existem recursos para a substituição ou restituição de um patrimônio artístico desta monta é cair na banalidade de uma evidência.

Do ponto de vista ético, no entanto, importa agora só a compreensão filosófica deste acontecimento lastimoso. É o momento em que fatalmente se questiona a fragilidade, não do homem, mas das suas manifestações. Mesmo as que carregam a aura da imperecibilidade, o sentido de sua representação espiritual maior. As que continuam a gerar reverência tanto entre o público comum quanto entre a vanguarda que justamente contesta estas qualidades. Da mesma forma como há a serena aceitação da transitoriedade da vida humana, é extremamente difícil duvidar da perenidade da obra de arte como objeto e como idéia representada. No seu sentido tradicional ou contemporâneo, ela ainda parece representar a perpetuação do homem. Queira o artista ou não, existe a noção de que a obra o ultrapassa no tempo e no espaço.(...)

A conhecida escultura do suíço Jean Tinguely, que se autodestruiu em alguns minutos, talvez tenha sido a primeira de todas as manifestações desmaterializadas da arte. Pois, além de colocar em questão as características convencionais da arte tradicional, apresenta a obra verdadeiramente indestrutível, porque na própria destruição está a idéia da sua perenidade.

Não obstante, como explicar o sentimento de dor que nos invade ao saber da destruição real dos valores por nós tão contestados? As idéias acabam por permanecer soterradas sob o metafísico e irreparável sentimento de perda, que não é mais do que um profundo e irracional sentimento de amor. O mesmo que gera o próprio ato da criação.



Trechos do artigo escrito na manhã de domingo, dia 9 de julho de 1978, na própria redação do jornal
O Estado de S. Paulo, enquanto que lágrimas rolavam pelo meu rosto. Eu estava sob o choque da notícia do incêndio no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, desastre sem precedentes na história das grandes coleções de artes plásticas onde desapareceram duas telas de Picasso, duas de Miró e centenas de obras de artistas brasileiros colecionadas ao longo de 20 anos. De mil obras, restaram 50, e dos dois andares atingidos, cinzas. O sinistro do MAM atingiu dimensões jamais registradas. Além do acervo do museu, queimou-se toda a mostra Arte Agora II onde estavam expostos 205 quadros de pintores latino-americanos, entre eles toda a fase construtivista do uruguaio Joaquín Torres-Garcia, um período de quase duas décadas de criação.

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posted by Sheila Leirner at 15:49 |

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Seis coisas que aprendi

Não é todo mundo que faz dois aniversários de uma só vez. Eu, sim. Hoje, além do meu aniversário atual, resolvi comemorar igualmente aquele decênio a mais que completei há um ano. Pois que sou muito lenta, só agora caiu a ficha de como a data foi importante para mim. Simbólicamente, ela anunciou a chegada a uma suposta maturidade que não festejei porque mal percebi! Hoje, portanto, não apenas o champagne, o bolo e o presente virão em dobro, como escreverei seis coisas que aprendi em seis decênios e que, não sendo "prescrições" mas apenas experiências pessoais, talvez outras pessoas possam aproveitar:

1) Não minta (ou omita) a idade. É melhor dizer a verdade e parecer mais novo do que mentir e parecer mais velho e... mentiroso. Alguns anos não fazem a menor diferença e, de qualquer maneira, todo mundo sempre sabe (ou calcula) qual é a sua idade.

2) Se não for por problemas estéticos graves, psicológicos ou de saúde (e se você não for ator, apresentador de televisão ou artista especializado em performances cirúrgicas) não faça nenhuma intervenção ou aplicação artificial de elementos estranhos ao seu corpo. Você conhece sensação mais desagradável do que não reconhecer um amigo? E coisa menos estética e mais repugnante do que um rosto ou um corpo refeitos quando se percebe (e sempre se percebe) que foram alterados? Um rosto com rugas e mesmo um corpo com defeitos podem ser belos, mas um rosto ou um corpo refeito não tem beleza, jamais.

3) Aprenda a se amar: aceite a sua idade, o seu rosto e o seu corpo como eles são e você terá uma das maiores provas de seu amor por sí mesmo. Mesmo que a idéia lhe incomode e você não goste de freqüentar os clubes que lhe aceitem como sócio, o esforço vale a pena. Com ou sem papo, rugas ou barriga, existem pessoas mais amáveis e atraentes do que aquelas que se amam?

4) Seja o mais autônomo possível. Enquanto e quando não precisar, dependa o mínimo que puder de outros. Lembre-se de que uma pessoa assistida é uma pessoa diminuída. Quantos tenho visto infelizes apenas porque são preguiçosos ou não sabem fazer nada sem a ajuda de alguém. Secretária, assistente, professor de computador, personal trainer, coach, governanta, babá, empregada, motorista, psicólogo, manicura, psicanalista, guru, cabeleireiro, cozinheira, vidente, passadeira, engraxate, barbeiro, costureira, etc. – tudo isso pode ser uma grande armadilha. A facilidade paga-se caro. Se não forem absolutamente necessárias, estas "ajudas" podem enfraquecê-lo a ponto de deixá-lo dependente como de uma droga. Experimente ir tirando, uma a uma, todas as muletas e você vai descobrir, com satisfação, quanta coisa é capaz de realizar sozinho! O que, além de ser uma grande economia, fará você se sentir mais forte, valorizado, feliz e orgulhoso. Penso especialmente em Marguerite Yourcenar que simplificou tanto o final da vida dela a ponto de "esperar como uma recompensa" o deleite proporcionado pelo pão feito com as suas próprias mãos.

5) A maior vantagem da autonomia é a descoberta do "fluir" ("flow", segundo Mihaly Csikszentmihalyi) que traz a felicidade. O "fluir" é o exato oposto da preguiça, uma espécie de aumento para a vida, algo difícil de explicar pois trata-se de uma delícia e, como todas as delícias, é preciso prová-la para saber o que é. Porém, é um prazer inteiro muito fácil de encontrar. Não é ficar como uma lagartixa ao sol num iate, ou em frente da televisão ou numa festa de copo na mão. Ele acontece quando a gente se dá uma tarefa justa e bastante difícil que requeira todas as nossas capacidades e toda nossa atenção. Desenvolvemos uma paciência, uma competência, existe um progresso e os desafios são cada vez maiores. É como se estivessemos hipnotizados sem pensar em nada de ruim. Esse é o "bom trabalho" que faz a "vida boa", nada a ver com o moralismo da frase "trabalhar enobrece"... Descubra em suas atividades (autônomas) a que mais o transporta ao mundo da felicidade, fazendo você esquecer os problemas e as preocupações do dia a dia. Eu lhe garanto por minha própria experiência que, ao tirar as "muletas" citadas acima, você certamente descobrirá várias ocupações nas quais esse verdadeiro "fluxo" vai prosperar.

6) Ambicione pouco e sonhe muito. Diz-se que a chave da felicidade é não ambicionar o que não se pode ter e amar o que se tem. Concordo com a segunda parte, porém o melhor seria trocar a ambição pelo sonho que, além de não fazer mal a ninguém, pode ter um efeito mágico sobre aquilo que se deseja. Se você "sonhar" em ter um carro como o do seu vizinho, você não sentirá a inveja e a angústia que a "ambição" de ter aquele carro lhe traria. O sonho é positivo, a ambição é negativa. É possível até mesmo que, de tanto sonhar, um dia você venha a ter o tal do carro... e se não tiver, vai poder dizer sem qualquer mágoa: "foi apenas um sonho".

Até amanhã, que agora é hoje e as próximas "experiências da maturidade" aqui no QOC... só quando eu estiver com 70!

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posted by Sheila Leirner at 03:17 |

Segunda-feira, Julho 20, 2009

Onde estava eu no dia 20 de julho de 1969?

Buzz Aldrin pisando na Lua (Nasa)

Paris. Quando Gica, minha mãe, decidiu ir embora de vez após uma longa estadia de amor infeliz, acabei por ficar. Apenas alguns meses depois da minha chegada, ela devolveu a bela casa alugada ao proprietário e me colocou num pequeno hotel alí mesmo, perto da Cidade Universitária. Deste modo, segundo ela, “eu teria algum tempo para achar um quarto de estudante ou um estúdio para alugar”. Deixou-me umas louças, panelas, o carrinho que na época as pessoas chamavam de “pote de iogurte” e se foi.

Era o segundo trimestre de 1969. Lembro-me até hoje quando eu, com a minha recém-tirada carta brasileira de habilitação, voltava do aeroporto de Orly aonde a tinha levado assim como todas as malas dela. Quase não conseguia enxergar o caminho de tanto que as lágrimas corriam pelo meu rosto. Estava sozinha no mundo pela primeira vez. Lembro também que passei na loja Nicolas e comprei uma enorme garrafa de plástico de vinho ordinário, antes de ir para o meu quarto de hotel. Foi o primeiro e último verdadeiro porre que tomei em minha vida. Acho que nunca me senti tão mal! Hoje, os jovens não querem mais sair da casa dos pais. Para Terence, meu irmão, que veio em seguida estudar em Londres e para mim, isso era uma questão de “honra”. Por isso ficamos independentes tão cedo. Depois do choque inicial do contato com a independência e a solidão, vieram as inevitáveis descobertas e desapontamentos nas relações humanas. Mas tudo correu bem...

***

Ainda tentava me adaptar à nova situação, quando soube que a minha mãe esquecera de pagar a conta do telefone. O pouco dinheiro que eu recebia e depois também ganhava arrumando o consultório de um médico, não dava para cobrir os telefonemas todos que ela tinha feito ao Brasil. E o proprietário não era qualquer um. Tratava-se do irmão de Bóris Vian, o poeta. Por sorte, Gica, verdadeira "brazilian princess", encontrou uma maneira de me mandar a soma e lá fui eu com o envelope à casa de M. Vian que, pelo visto, também devia ser escritor.

Era 20 de julho, à tarde. Mal imaginava eu em que dia estávamos! Toquei a campainha e M. Vian respondeu mau-humorado: “Agora não posso, volte mais tarde”. Ao ver a minha decepção deve ter ficado penalizado pois mudou de idéia: “Bem, pode entrar. Mas aguarde um pouco, pois estamos muito ocupados”. Do hall eu via a televisão ligada e o sofá onde ele e a mulher sentavam-se. Penso que se sentiram constrangidos em me deixar ali plantada pois logo foram me convidando para sentar também. As imagens eram impressionantes e me deixaram muito emocionada. Foi assim, num gasto sofá de veludo vermelho, entre Monsieur e Madame Vian, com o envelope do pagamento da conta do telefone no colo, que eu vi - "maravilha da vida"! - Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin pisarem na Lua pela primeira vez.

Mas foi também naquele exato instante, do outro lado do oceano, que Gica, Felícia minha avó, e a querida Madalena, nossa caseira há 40 anos, arregalaram os olhos diante da televisão na biblioteca aquecida da Casa do Telhado Verde, em Campos do Jordão. Pela janela avistava-se o jardim ainda coberto pela geada matinal. Faltava pouco mais de uma semana para que as férias de inverno na montanha terminassem. Madalena fez menção de sair, dizendo que aquilo era invenção.

- Venha aqui, Madalena! chamou a minha mãe. É verdade, sim. Olha aqui eles pisando na Lua! Estão até espetando a bandeira dos Estados Unidos! Está vendo?

- Claro que estou vendo! Vejo, mas não acredito.



***

Até amanhã, que agora é hoje!

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posted by Sheila Leirner at 09:16 |

Quinta-feira, Dezembro 25, 2008

Conclusão de Natal e Ano Novo

"Le Corbeau des mers"

"Quanto mais os anos passam, mais sêniors haverão, pois a cada 50 segundos uma pessoa no mundo atinge 50 anos".
Jacques Seguela, no Senior Trend Magazine.


Até 2050, segundo os estudos disponíveis neste site o número de sêniors no mundo ultrapassará o das crianças, passando de 629 milhões a 2 bilhões.

Uma coisa é certa: hoje, pelo menos na França, a percepção que os homens têm das mulheres de 50 anos ou mais evoluiu. O que permite a marcas importantes, por exemplo, escolher sêniors atraentes como modelo. Se acreditarmos na nova revista Senior Tendance Magazine criada em julho, as "baby boomers" estão de vento em popa. Esta vaga de "novas idosas", que forma agora o "mamy boom" (vovó boom), dita a moda e se mostra nas páginas coloridas com novas carreiras, novos projetos de vida e... com companheiros de 10 a 20 anos mais jovens!

Quando elas são bonitas, elegantes e seguras de si a sua "entre-duas-idades" faz sonhar os franceses de 7 a 77 anos. Segundo a sondagem recente realizada pelo observatório Ipsos-Linéance, 69% dos homens confessam achar as mulheres de mais de 50 "fisicamente atraentes". Mas este sentimento atravessa gerações: concerne logicamente quase todos homens acima de 50 anos (91%), a maioria dos que estão entre 35 e 49 anos (80%) e também os de 25 a 43 anos (50%).

Conclusão de Natal e Ano Novo: até amanhã que agora é hoje e as vovós continuam fazendo sombra aos netinhos...



video

posted by Sheila Leirner at 12:15 |

Sexta-feira, Setembro 26, 2008

59 forever!

Meu Karman-Ghia da cor do cavalo branco de Napoleão

Até hoje não sei se as mães lembram dos aniversários dos filhos realmente porque eles fazem anos ou se é porque as datas coincidem sempre com os aniversários dos próprios partos que deram à luz os filhos delas. Coisa que é, diga-se de passagem, igualmente comemorável. Ontem foi o meu aniversário. Não vou contar a minha idade. Para bons entendedores apenas publico a foto* de um carro idêntico ao meu no começo dos anos 70. Ali, no banco traseiro (ou dianteiro, não lembro bem), ficava o "assento de proteção de bebê" do meu filho Paulo...

Mas aproveito também a ocasião especial para apresentar Kika aos meus leitores. Ela é a personagem principal das histórias em quadrinhos que estou criando com um maravilhoso desenhista brasileiro que mora na França.

Aqui está o diálogo muito pertinente (foi inventado ontem mesmo) entre Kika e a amiga Prunela:
Kika - Meus 60 anos vão ser um grande marco na minha vida.
Prunela - Porquê?
Kika - Porque a partir dos 60 vou ficar com 59 para a eternidade!
Se você quiser conhecer a Kika, clique aqui. A senha para entrar no site é "sigmund" (com "s" minúsculo). Se não quiser brincar de senha clique DIRETO AQUI. Até amanhã que agora é hoje e eu tenho que encontrar urgente um jornal ou uma revista que queira nos publicar!





*Meu Karman-Ghia da cor do cavalo branco de Napoleão: foto roubada da página de Luis Nassif


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posted by Sheila Leirner at 16:38 |

Quarta-feira, Julho 23, 2008

Não pode!


No último fim de semana, depois de vários meses de reformas, foi a reabertura do Museu Picasso em Antibes no sul da França. Não é porque defendo o conservador do museu que foi meu marido anterior, mas Pablo Picasso deve ter saltado de alegria em sua tumba ao saber como ficou linda a renovação do Castelo Grimaldi onde viveu.

Ainda bem. Foi uma boa compensação depois de o gênio ter se revirado no túmulo ao descobrir 3D Exploration of Picasso's Guernica da fotógrafa alemã Lena Gieseke que mora em Nova York e foi mulher do Tim Burton.

Tanto quanto Picasso, também "gosto do que evolui". Porém, ver a Guernica - que descobri ainda criança e com emoção na Bienal de São Paulo nos anos 50 - transformada em clipe tridimensional é triste! Pior do que ouvir os "remix" musicais onde os DJ's desrespeitam compositores e intérpretes. O que resta do sentido trágico, paradoxalmente aprofundado pelo achatamento das formas e pelas cores sombrias da obra do gênio ? Onde estão a incisão e a virtualidade violenta do traço e dos volumes que transformam o manifesto em grito surdo? Ao dar volumes reais aos volumes virtuais de Picasso, a moça esvazia totalmente a linguagem do mestre!

No site da fotógrafa ela diz que a sua intenção foi criar uma contemplação profunda e provocadora da obra de Picasso. Como se o quadro precisasse disto!

Até amanhã que agora é hoje e xô virtuoses espertalhões que "kitschizam"* obras-primas transformando-as em assombrosos e gratuitos exercícios técnicos!

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kitschizar – verbo que inventei a partir da palavra kitsch que, segundo o Aurélio, diz-se de material artístico, literário, etc., considerado como de má qualidade, em geral de cunho sentimentalista, sensacionalista, imediatista, e produzido com o especial propósito de apelar para o gosto popular: "O kitsch é a estética do digestivo, do 'culinário', do agradável-que-não-reclama-raciocínio." (José Guilherme Merquior, Formalismo e Tradição Moderna, pp. 13-14).

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posted by Sheila Leirner at 18:34 |

Quinta-feira, Junho 12, 2008

Falando de coisas sérias



Nasceu!

928 páginas, 1344 gramas e 5 anos de gestação, junto com um parceiro excepcional e colaboradores do primeiro time! Até amanhã, que agora é hoje e vou comemorar, uf!

posted by Sheila Leirner at 17:24 |

Domingo, Maio 18, 2008

E a primavera vence o inverno mais uma vez!


"A terra é insultada e oferece as flores como resposta".
Rabindranath Tagore [1861-1941]



posted by Sheila Leirner at 09:14 |

Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

As asas do tempo



"Sobre as asas do tempo, a tristeza vai-se embora".
Jean de la Fontaine



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posted by Sheila Leirner at 00:01 |

Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Em 2008 a felicidade é possível!


"Eu fiz uma descoberta estranha. Toda vez que converso com um sábio tenho a certeza de que a felicidade não é possível. Já quando converso com o meu jardineiro, fico convencido do contrário".
Bertrand Russell, filósofo, matemático e escritor (1872 – 1970)

Ao leitor querido, paciente e compreensivo, que aturou as minhas ausências e mancadas em 2007 e que me apoiou (mesmo sem saber) durante os longos meses nos quais enfrentei graves problemas com a saúde de meu filho, um Feliz Natal. Até amanhã, que agora é hoje e para todos nós um maravilhoso 2008 à maneira dos jardineiros! Xô sábios!



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posted by Sheila Leirner at 18:27 |

Segunda-feira, Outubro 22, 2007

Tout passe



Até amanhã que agora é hoje e obrigada a todos que participaram ontem (sem saber) passando diante da minha pequena Nikon Coolpix L1!


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posted by Sheila Leirner at 12:04 |

Terça-feira, Outubro 16, 2007

Chegaram os segredos para chegar a lugar nenhum!


Foto © Lorgnon mélancolique

Hoje no final da manhã tocou a campainha. "Não estou esperando ninguém", pensei. O missivista certamente percebeu o meu mau humor pois quase pediu desculpas ao entregar o pacote. Sorte que o nome Bertrand Brasil aparecia bem em cima. Me provocou um tal sorriso que o rapaz foi embora aliviado e contente! Merci! Merci!

Maldita tesoura que nunca está onde a deixo!!! Como é que vou cortar o barbante para extrair aquele livro cuja capa me deixou perplexa? Cadê a banana? Cadê os segredos que até agora também são segredos para mim?

Xô embalagem finalmente! Ai que objeto gostoso de pegar na mão! Que coisa mais primorosa e acetinada. Que banana mais linda e brilhosa de purpurina sobre um vermelho rubi cheio de figurinhas! E eu que detestei a capa quando vi a foto! Ao vivo é puro Pop e também faz lembrar da Helô. Foi criada pelo talentoso Sérgio Campante mas poderia ter sido de Lichtenstein.

E o recheio, então? Na página 69 (?!) tem até um conselho da Ivana Arruda Leite que nunca imaginei tão revolucionária. O título é "Como transar com o marido da sua melhor amiga sem pôr em risco a amizade entre vocês". Bom saber... depois dessa, jamais vou apresentar o meu marido para ela! Felizmente não consegui devorar tudo. Quero continuar rolando de rir com essa saborosa literatura de "baixo-ajuda" que num dos contos, por exemplo, começa assim: "A primeira coisa que você deve saber sobre cupins é que eles não morrem. Dito isso, vamos aprender como mantê-los sob controle". Delícia de texto! Mas, como diz Machado de Assis no magnífico prefácio psicografado pela Desdêmona que organizou o livro, "os bons conselhos são como roseiras: pegam". Segundo ele, os 35 autores "dizem coisas sem parecer dizê-las, o que é arte para poucos"...

Eu não vou estar, mas se você estiver em São Paulo e quiser me representar no lançamento do 35 segredos para chegar a lugar nenhum – literatura de baixo-ajuda no Barco Virgílio dia 19 às 19h30 ficarei feliz! E se puder me contar como foi, ficarei mais feliz ainda! E se porventura tiver tempo de ler, se esbaldar e me dizer o que achou do livro ficarei triplamente feliz! Quatro vezes feliz já é demais, então paro por aqui.

Até amanhã, que agora é hoje e obrigada Ivana querida!

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35 SEGREDOS PARA CHEGAR A LUGAR NENHUM


Editora: Bertrand Brasil
Ano:2007
Edição:1
Número de páginas: 168
Acabamento: Brochura
Formato: 14cm x 21cm
Organizador: Ivana Arruda Leite
Autores: Adrienne Myrtes, Alexandre Barbosa de Souza, Ana Elisa Ribeiro, Ana Paula Maia, André Laurentino, André Sant’Anna, Andréa del Fuego, Antonia Pellegrino, Antonio Prata, Beatriz Bracher, Cíntia Moscovich, Claudio Daniel, Fernando Bonassi, Índigo, Ivana Arruda Leite, João Filho, Jorge Pieiro, José Luiz Martins, José Roberto Torero, Livia Garcia-Rosa, Lúcia Carvalho, Luiz Paulo Faccioli, Marcelino Freire, Marcelo Carneiro da Cunha, Marcelo Moutinho, Maria José Silveira, Mário Bortolotto, Nelson de Oliveira, Reinaldo Moraes, Rodrigo Lacerda, Rogério Augusto, Santiago Nazarian, Sérgio Fantini, Sheila Leirner e Xico Sá

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posted by Sheila Leirner at 14:34 |

Sábado, Junho 09, 2007

Diário de Veneza

Foto © Wilfrid Hoffacker - Exposição de Sophie Calle no Beaubourg, Paris
Foto © Wilfrid Hoffacker - Exposição de Sophie Calle no Beaubourg, em Paris

Sempre adorei Sophie Calle e, embora eu seja crítica de arte (que nome feio!), nunca fiz grande esforço para saber porque. Mesmo quando conheci a sua obra pela primeira vez, mesmo quando troquei idéias com Baudrillard a seu respeito e quando visitei a impressionante retrospectiva no Beaubourg há quatro anos, nunca quis sair dessa empatia acrítica… Eu teria podido analisar sériamente as razões pelas quais ela tornou-se uma artista tão especial porém só me deixava sentir que tínhamos coisas em comum. Porque? Os Desastres de Sofia da minha infância embalada pelos livros da Condessa de Ségur nada têm a ver com os desastres sociológicos dessa Sofia que é a minha preferida artista francesa. E daí se o pai dela, assim como o meu avô, era colecionador? Mesmo a nossa vida militante em Paris nos anos 60, o maoísmo, as idênticas e inconfessáveis posições políticas… tudo isso não passou de coisa comum à juventude daquela época quando ela estava com 16 anos e eu com 21! Afinal, como ela mesma diz, as pessoas divertidas, aquelas que saiam e tinham alguma vivacidade eram todas militantes! Na verdade, talvez eu nem precise saber porque gosto tanto do trabalho dela… Veneza
Hoje, aqui em Veneza, as pessoas que vieram para a "Biennale" perambulam claudicantes pelas ruelas, um pouco sufocadas pelo calor e certamente cansadas de tanto visitar os "Giardini" da grande exposição. Mas, onde estará Sophie? Justo ela que representa a França tendo como curador o artista Daniel Buren (presente na nossa Bienal de 85). Buren foi o feliz escolhido entre as duas centenas de pessoas que responderam ao seu anúncio "procura-se um curador". Muito bom isso… pena que não vi o anúncio…

Estará ela naquela festa do "palazzo" para a qual fomos todos convidados? Buren certamente. Ela, não acredito. Depois de mostrar duas obras pungentes, numa das quais filma a morte da sua mãe, seria estranho vê-la em coquetel de copo na mão recebendo cumprimentos… A minha tendência seria de imaginá-la num vaporetto, ou melhor, numa gôndola, em vias de se fixar não sobre o gondoleiro mas sobre a opinião dele acerca das obras de arte que este carregou em seu barco nos últimos anos de Bienal de Veneza. Assim como ela fez com os cegos quando pediu para que definissem a beleza ou com os guardas de museus pedindo para que estes descrevessem as obras ausentes, roubadas ou emprestadas. Não me admiraria se ela, ao invés de cumprir obrigações sociais e oficiais em meio à intelligentzia francesa, estivesse provocando alguma ocorrência embaraçosa que pudesse racionalizar e à qual pudesse em seguida dar uma dimensão artística, plasticizar. Será verdadeiro aquele mail pessoal de ruptura amorosa que ela recebeu há dois anos e que pediu para 107 mulheres de profissões diferentes interpretarem? Deve ser, pois quando ela teve a idéia de fazer esta obra chamada
Tome conta de você (a última frase da mensagem) para a Bienal de Veneza, teve até medo que o namorado mudasse de idéia e estragasse o trabalho… Sophie Calle, onde está você? Eu sei que não foi só vingança, você nunca leva adiante um trabalho que não tenha um potencial de arte. Eu sei que se o projeto não vai mais longe do que o interesse terapêutico dele você o descarta…

Da minha janela vejo o pequeno canal em cujo final fica aquela ponte na qual vislumbrei a morte. Uma morte diferente das outras pois ela só ocorre dentro de pessoas que estão vivas: um amor que acabou. Voilà! É por isso que me identifico com a Sophie! Porque eu também sempre quero transformar o sofrimento em experiência para poder conhecê-lo, dominá-lo e enfrentá-lo melhor. É a nossa maneira, dela e minha, de lidar com a dor: chegar à absoluta certeza de que nada foi em vão. Pena que eu não seja neurótica a ponto de ter seguido um caminho de artista, pois que sensação fantástica deve ser essa de poder transformar experiências em objetos de arte partilhando-os com os outros!

Até amanhã que agora é hoje e acho que vou convidar a Sophie Calle para ir à Calle Vallaresso tomar um
Bellini* no Harry’s Bar! Quem sabe a gente encontra os fantasmas de Proust, Byron ou Hemingway por lá?

*
Bellini: coquetel de champagne com pêssego.

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posted by Sheila Leirner at 08:54 |

Quarta-feira, Maio 16, 2007

Em cada dia...


Em cada dia,


momento,


ocasião,


festividade,


segundo,

minuto, hora de tristeza, alegria, obrigação de trabalho, sentimento de impossibilidade e até mesmo em cada sensação enganadora de liberdade…

meu pensamento está em Marcinha Kawabe, Gugala, João, Francis, Luísa R., Boczon, Fernando Cals, Márcia Lustosa, Betão, Ana Lucia, Daniela Mann, Alma, Mônica A., Bruna, Andréa N., Annie no Japão, Elisa, César Brandão, Helôzinha, Gi, Joaninha Darc, Panis, Flavio Prada, Teresa em Paris, Lila, Monica sempre «Femme», Grazi minhoquinha, Ivan, Raquel, Santos Passos, Ivana Arruda Leite, Daniela Castilho, Djabal, Kuja, Rodrigo Gurgel, Sonja, Idelber, Cláudio Costa, Ruben Valle Santos, Ruvasa, Paulo, Lunna, Luma, Beto Lins, Zana, Aline, Odila, Pia, Julio, William, Sérgio Vieira, Teorias, Samantha, Xmu, Nelson, Ruy e em todos aqueles que, mesmo sem vir e ainda que eu não os visite, continuam morando no meu coração.

Até amanhã que agora é hoje e a amizade é eterna!

posted by Sheila Leirner at 14:35 |

Sexta-feira, Abril 27, 2007

Dá para recapturar o tempo?

M. Rostrotovitch em Campos do Jordão, 1978.
Campos do Jordão, 1978. Ele, Felícia, meu filho Paulo, Galina, eu. Dedicatória: "To Sheila with best wishes, Rostropovitch"*.

Se não dá para recapturar os momentos de harmonia (e de grande música) em nossas vidas, pelo menos dá para atribuir à morte a capacidade de nos ajudar a não esquecê-los.

Até amanhã, que agora é hoje e viva a Vida!

*Mstislav Leopoldovitch Rostropovitch (1927 - 2007), violoncelista e maestro que ficará na história como grande defensor da liberdade e um dos maiores virtuoses que marcaram a paisagem musical internacional na segunda metade do século 20.

posted by Sheila Leirner at 21:15 |

Terça-feira, Março 06, 2007

Isto não é um necrológio

Jean Baudrillard

Jean Baudrillard (1929 - 2007)

Não sei porque sempre escrevi necrológios que as pessoas diziam ser bons. Se algum personagem conhecido no mundo das artes plásticas estivesse à beira da morte e mesmo se os editores do jornal já tivessem prontas em suas gavetas a reportagem e a biografia do futuro defunto, era de mim que eles esperariam o texto escrito sob a "emoção do momento".

Eu, justo eu que detesto coisas lúgubres, por certo era uma necrologista nata! Entendia perfeitamente que, entre outras coisas, o jornalismo tinha que ser preventivo: antecipar os fatos para poder melhor descrevê-los ao leitor. Eu não antecipava nada, mas quando fosse chegado o momento não apenas obedecia às ordens e desfiava a emoção, como exercia com todas as minhas forças um insuspeitado talento de orador paroquial em missa de 7° dia.

Hoje eu não tenho editor. E, desde que a notícia apareceu nas "atualidades" da barra Google à direita do meu micro, estou chorando. Ainda sem conseguir admitir – mesmo sob o choque de vê-lo naquele estado durante o lançamento da antologia de ensaios sobre a sua obra no Cahiers de l’Herne há dois anos - que um grande pensador, talvez um dos maiores de nossa era, estava de fato "à beira da morte". Para não fazer o seu necrológio com antecipação. Para não fazer o seu necrológio em geral.

Jean Baudrillard, isto não é um necrológio. Isto é um "post" escrito em computador, coisa que você detestava, dentro de um blog que talvez você não tivesse paciência de ler. Jean Baudrillard, vou sentir a sua falta. Vou lembrar de você por toda a vida que me resta. Vou lembrar que, convidado a vir ao Brasil pela primeira vez, você entrou em meu escritório da Bienal como um leão à contragosto talvez porque a arte, sobretudo a contemporânea, nunca foi a sua "taça de chá". E mesmo assim, Jean Baudrillard, ou talvez justamente por causa disto – você foi o seu profeta!

A contragosto ou não, leão você era. Personalidade de leão você tinha. Com a cabeça grande demais em proporção ao resto do seu corpo, a sua testa alta, os olhos claros, vivos e a vasta cabeleira, físico de leão você possuía! Altivo e sereno você foi.

Desde então, durante estes últimos 22 anos, longe das discussões intelectuais, você tornou-se o meu grande amigo. Você me fez rir e pensar. Você foi testemunha carinhosa das mudanças em minha vida e também, doce ironia, testemunha "burocrática" nos papéis do meu casamento. Justo você que via toda e qualquer artificialidade do sistema com tanta lucidez. No dia do meu casamento, você fotografou as torres gêmeas Mercuriales, da minha janela, como se já pressentisse o espírito do terrorismo, brilhante artigo que iría escrever 8 anos depois. Naquele mesmo dia você me trouxe de presente duas grandes fotos emolduradas, feitas por você, uma das quais eu tive a caradura de pedir para você trocar pois não quis aquela imagem tétrica na minha parede. Você riu muito...

Também eu fui testemunha do seu humor, brilho, inteligência, às vezes de sua ingenuidade e deslumbramento infantil, de suas certezas e incertezas. Estivemos juntos em outros países, em congressos, em várias esferas, na intimidade de nossas casas, na vida mundana parisiense, nas ruas em longas caminhadas, nos jantares da grande cidade, nas comemorações de cada aniversário e cada livro, nas homenagens, nos restaurantes de Montparnasse, no campo, infelizmente não em seu casamento no bar maluco do 20° arrondissement (eu estava no Brasil), no seu "moinho" ao norte, não longe de Paris, onde centenas de amigos vieram comemorar e assistir as atrações estranhas que coroaram os seus 70 anos, no barco à beira do Sena onde camelos de verdade recepcionavam os convidados e em todas as excentricidades de Marine, sua mulher, nas quais você parecia sempre ausente, como um espectador de sua própria vida.

Eu ouvi as suas histórias, os relatos de suas viagens, a narração dos seus retiros anuais na sua “garrigue do midi” sempre naquela casa sem eletricidade, onde você escrevia à luz do lampião e onde, um dia, acordou coberto de fuligem perdendo todos os seus manuscritos... Era daquela região que você trazia o delicioso Fitou, vinho que saboreávamos ora olhando a sua poltrona com o "jeté" vermelho que você imortalizou em uma foto, ora observando a bola de cristal que eu trouxera do Brasil e que você colocara com tanto carinho sobre a chaminé.

A palavra amor é pequena para conter os sentimentos que trocamos. E as palavras admiração e respeito, Jean Baudrillard, são totalmente insuficientes para descrever o que eu sinto por você. Até sempre, que agora é hoje. Descanse em paz!

***

Fiz quatro entrevistas com Jean Baudrillard (1991, 1995, 1997 e 1999). Por enquanto, deixo aqui apenas os links para duas delas:

O Estado de S. Paulo – Caderno 2 - 1997

O Estado de S. Paulo – Caderno 2 - 1999


11 de fevereiro de 2005
Lançamento da antologia de ensaios sobre a obra de Baudrillard no Cahiers de l’Herne, 11 de fevereiro de 2005.

Torres Mercuriales
Torres Mercuriales sob a neve, fotografadas por mim alguns dias depois do lançamento do livro...

Torres Mercuriales
Torres Mercuriales ao crepúsculo, fotografadas por mim recentemente...

posted by Sheila Leirner at 21:51 |

Terça-feira, Fevereiro 20, 2007

Licença bloguística


Sombras 1



Sombras 2



Sombras 3

Aconteceu. Sumi. Nem eu mesma consegui me encontrar! Não deu para avisar e menos ainda para me desculpar. É que inventei uma nova licença: depois da "poética" a "bloguística" - liberdade que toma o blogueiro para transgredir as normas da blogagem e da boa conduta. Folga para fazer outras coisas. E não é que eu seja folgada. Eu, por exemplo, mesmo virando sombra, folgo com responsabilidade!!!

Até amanhã que agora é hoje e, enquanto não volto para contar as novas aventuras, por favor lembre-se sempre disto: adoro você!

posted by Sheila Leirner at 09:25 |

Domingo, Dezembro 24, 2006

Natal pelo celular




I



II



III



IV

Do meu celular debaixo de 0°C, direto para você leitor querido. Com os votos de uma noite mágica e um dia de deliciosa pachorra.

Haicai de Natal:

Sobre a mesa farta
O abacaxi arrepiado
Fita o peru estripado

Até amanhã que agora é hoje e, do jeito que vai o consumo por aqui, quem não tem carnaval... caça com Natal!

posted by Sheila Leirner at 09:19 |

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

O medo da imagem.

Iconofobia X arte

A crise da arte contemportânea definida por um chofer de táxi diante do Tate Modern em Londres: "Quando a gente entra, dá para entender porque é gratuito!" (contado por Jean Baudrillard e publicado no blog Tristes Topiques)

****

Por falar em "crise da arte contemporânea", publico aqui, na íntegra, a entrevista que me foi feita esta semana pelo Valor Econômico e que não coube inteira no espaço do jornal. Xô limite de espaço!!! Viva a liberdade do QOC!

Valor Econômico - A partir de um termo que você empregou na sua entrevista de outubro sobre a Bienal para este mesmo jornal - "iconofobia", não no sentido religioso, mas plástico, surgiu uma discussão e resolvemos fazer uma matéria de capa sobre isso. Recentemente, o poeta Affonso Romano de Sant´Anna lançou uns livros falando de arte contemporânea e da espécie de xeque-mate que a obra do Marcel Duchamp impôs. Em suma, por outras linhas, ele também chegou à iconofobia...

Sheila Leirner - Não li os livros de Romano de Sant´Anna, mas entendo que tenha escrito sobre a ligação da arte contemporânea com Duchamp. Apesar de a questão já ter criado barba, ela continua fascinante... Não sei o que está escrito ali, no entanto asseguro que não há iconofobia que possa ter sido gerada por este “xeque-mate” do qual se fala. Duchamp era um artista de imagens, adorava imagens e influenciou toda uma geração que desenvolveu outras imagens. Os questionamentos sobre o “objeto de arte” nada tem a ver com iconofobia. Além disso, a obra de Marcel Duchamp não impôs nada. O xeque-mate foi apenas para quem quis. Apesar do jogo de Duchamp (e ele realmente passou muitos anos sem fazer outra coisa senão praticar enxadrismo), a arte nunca morreu de fato e continuará existindo enquanto o homem estiver aqui. Apenas que, desde então, tivemos que aprender a lidar com uma cisão acrescentada aliás por muitas outras que surgiram depois de Duchamp e não por causa dele. Já a cisão entre os iconofóbicos e os iconófilos, esta existe desde os tempos de Bizâncio... E, diga-se de passagem, com uma grande vantagem para os últimos: só iconófilos como Duchamp, podem ser iconoclastas. E sabe porque? Porque quem tem fobia por imagens, não consegue quebrá-las...

V.E. - Como se manifesta, nas bienais e exposições de arte contemporânea, a iconofobia à qual você se referiu na matéria sobre a Bienal?

S.L. - No resultado. Dá para ver claramente a diferença entre uma exposição feita por alguém diretamente apaixonado pelo objeto do seu trabalho (a arte) e alguém dominado apenas pelo amor à estratégia que lhe permitiu exibir o objeto deste trabalho. Fica tudo impresso, marcado... até mesmo na maneira de criar percursos e analogias entre as obras. No segundo caso, geralmente a escolha fica comprometida, as exposições são frias, bobocas porque se levam demasiadamente a sério e sobretudo destituídas de alma.

V.E. - Esse gênero de trabalho, todo conceitual, contribui para que o público se afaste de manifestações do gênero?

S.L. - É sobre isso que eu queria falar: o público. Não são os trabalhos conceituais que afastam o público das manifestações do gênero. É a maneira como estes trabalhos são usados para criar uma estratégia de decepção. Veja: nos anos 70/80 só se falava na Era da Desconfiança, que vinha da literatura contestatária, do nouveau roman - com a crítica Barthesiana, Nathalie Sarraute, Robe-Grillet, Claude Simon, etc - e que desembocava de certa maneira nas artes plásticas por meio da arte conceitual advinda não apenas de Duchamp, mas justamente da relação entre arte e literatura. Foi aí, em meio à “desconfiança” gerada entre leitor e autor ou entre público e artista, que nasceu a arte “desmaterializada” que, no fundo, nada mais era do que puro namoro entre arte e literatura. Hoje, como não existe mais nada para contestar, creio que se pode dizer que, infelizmente, entramos na Era da Frustração, na qual, não apenas os artistas mas sobretudo os que detem o poder institucional, fazem exata e propositalmente o oposto daquilo que o público espera. Saindo de seus secretos e inatingíveis “conciliábulos de especialistas”, eles parecem dizer: “Você quer isto? Ah! Então não vai ter!”. Trata-se de algo que, além de perverso, é a expressão máxima da coqueteria, coisa da ordem de uma sedução barata. O problema é que, sob o manto de uma aparente postura crítica séria, construtiva e políticamente correta, resta para o espectador apenas uma visão niilista. O que, paradoxalmente, não pode ser mais destrutivo e incorreto. Se não, em meio a tantas “denúncias”, que saídas apontam as obras que enchem as Bienais?

V.E. - Antes de falar sobre os trabalhos, pergunto então a você: o que torna iconofóbico um curador?

S.L. - A iconofobia ou o mêdo das imagens é uma coisa antiga que remonta à crise do iconoclasmo bizantino nos séculos 8 e 9, tem uma história complexa no mundo judaico, árabe e cristão, passa pelas sociedades descritas por Walter Benjamin e McLuhan e se desenvolve em nossa época inclusive entre os fundamentalistas. Ninguém está isento dos seus perigos, menos ainda os curadores de grandes exposições que são obrigados a lidar com a enorme diversidade no meio de uma quantidade brutal de imagens. Se o curador for também um intelectual, aí o resultado pode ser catastrófico, pois os mais tocados pela tal fobia são estes, não me pergunte porque. Conheço vários para quem é muito reconfortante o refúgio apenas naquilo que conhecem...

V.E. – Isso pressupõe uma vocação...

S.L. - Eu ouvi uma entrevista do falecido sociólogo Pierre Bourdieu a respeito dos políticos. Dizia ele que existem os que (no caso, Segolène Royal) embora se mostrem de esquerda, são – por sua personalidade, psicologia, experiência de vida e sensibilidade – de direita. E vice-versa. No caso dela, deixa supor Bourdieu, foi por oportunismo que inclinou-se à esquerda, onde para uma mulher é mais fácil vencer. Eu penso o mesmo sobre críticos e curadores. Há pessoas que, nem sempre por oportunismo, mas talvez apenas por desconhecimento de suas próprias capacidades, tornam-se críticos ou curadores quando – por suas características específicas - deveriam estar na universidade, no trabalho intelectual, na pesquisa ou em outros lugares. Lugares em que o amor, o prazer, a vivência, a criatividade, a experiência e a disposição subjetiva para a arte não são condições necessárias para um trabalho bem sucedido. Ninguém é obrigado a ser inventivo, como é necessário tanto ao bom curador quanto ao artista. Ninguém é obrigado a amar ou estar profundamente envolvido com a arte. Por isso existem outras profissões...

V.E. - Ainda há espaço para o talento em antigas técnicas, como desenho, gravura e pintura? Ou eles são subjugados pela ditadura da, digamos, expressão contemporânea?

S.L. - Neste ponto sou categórica: há espaço sim! E se ditadura existe, deve estar com os dias contados. Técnicas jamais mediram contemporaneidade! Desenho, gravura, pintura, escultura são eternos. O que mede a pertinência ou a “contemporaneidade” de uma técnica é a sua linguagem. Um trabalho pode ser acadêmico, obsoleto ou retrógrado usando instalação com sucata e outro completamente revolucionário com pintura à óleo sobre tela. Eu, por exemplo, recomendaria hoje a um pintor talentoso fazer naturezas mortas. Existe coisa mais revolucionária do que natureza morta no meio desta “nova academia” da arte sociológica?

V.E. - A história será magnânima com estas décadas recentes de instalações e atos conexos? Que espaço essas manifestações ocuparão nos livros de história da arte?

S.L. – Isso eu não sei responder. Se pensarmos na história hoje, ela foi magnânima e também não foi. Destacou e apagou muita coisa, e nem sempre com justiça. A história não é fiável. A crítica também não, porém entre uma e outra, penso que esta estará mais apta a esse julgamento...

V.E. - Hoje, ninguém mais aceita ou recusa uma obra numa dessas exposições a partir da própria obra. Aceitam ou recusam projetos etc. Não é um contra-senso, já que os artistas não são teóricos, mas operários?

S.L. – Penso que o procedimento é misto. Existem artistas mais teóricos e outros mais artesões. Cada caso é um caso e muitos certamente são examinados a partir da própria obra. Quando isto não é possível, não há outra forma de proceder senão analisar um projeto o que, no meu entender, é perfeitamente normal.

V.E. - Sem o amparo das fundações e dos institutos de arte, tais obras (as instalações e conexos) viriam à luz?

S.L. - Jamais viriam à luz. Mas isso não deve ser necessariamente encarado como algo de negativo. No renascimento, muitas obras também não teriam visto a luz não fosse o amparo dos mecenas...

V.E. - A arte contemporânea - essa arte contemporânea - dispensa o mercado. Isso é bom ou mau?

S.L. – Será que ela dispensa o mercado? Veja: quando galeristas espertíssimos como Iris Clert ou Leo Castelli nos anos 50 e 60 - só para dar dois exemplos pois existem muitos, hoje inclusive no Brasil - quando eles expuseram obras (e mesmo “performances”) totalmente invendáveis de Yves Klein ou dos artistas pop americanos, isto reverteu de forma extremamente positiva para os artistas e os galeristas em termos de mercado. Porque? Apenas porque estes mesmos artistas, num segundo tempo, iriam criar obras vendáveis. Altamente vendáveis e por preços astronômicos. O que acontece na bienal não é muito diferente: você expõe ali uma sucata gigante invendável, fica famoso e já pode começar a fazer sucatinhas mais amenas, em série, como trabalho alimentar. Que eu saiba, o mercado nunca é dispensado...

FIM

E para quem tiver paciência de me ouvir, faz mais de um mês que estou falando sozinha na parte dedicada às entrevistas do excelente Especial sobre a 27ª Bienal de São Paulo feito pela UOL...

Até amanhã, que agora é hoje e aguarde a história do alfinete de cabelo na homenagem dos dez anos da morte de Morton Feldman na Igreja de Santo Eustáquio em Paris! Nunca mais usei o tal apetrecho em concerto...

Marcadores: arte

posted by Sheila Leirner at 00:32 |

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Sheila Leirner nasceu em Sao Paulo, vive e trabalha em Paris desde 1991. É crítica de arte, jornalista e curadora independente. É casada e tem dois filhos.................... Sheila Leirner was born in Sao Paulo, lives and works in Paris since 1991. She is an art critic, journalist and independent curator. She is married and has two children.

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